sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Hoje é HALLOWEEN...


VOCÊ SABIA..?

Em declaração feita no ano de 2009, o Vaticano condenou o Halloween como uma festa perigosa carregada por vários elementos anticristãos. No Brasil, observamos que algumas pessoas torcem o nariz para a comemoração do evento por entendê-lo como uma manifestação distante da nossa cultura. No fim das contas, muito se diz a respeito, mas poucos são aqueles que examinam minuciosamente os significados e origens de tal festividade.

Desde a Antiguidade, observamos que várias festividades populares eram cercadas pela valorização dos opostos que regem o mundo. Um dos mais claros exemplos disso ocorre com relação ao carnaval, que antecede toda a resignação da quaresma. No caso do Halloween, desde muito tempo, a festividade acontece um dia antes da “festa de todos os santos” e, por isso, tem seu nome inspirado na expressão "All hallow's eve", que significa a “véspera de todos os santos”.

Pelo fato do 1° de novembro estar cercado de um valor sagrado e extremamente positivo, os celtas, antigo povo que habitava as Ilhas Britânicas, acreditavam que o mundo seria ameaçado na véspera do evento pela ação de terríveis demônios e fantasmas. Dessa forma, o “halloween” nasce como uma preocupação simbólica onde a festa cercada por figuras estranhas e bizarras teria o objetivo de afastar a influência dos maus espíritos que ameaçariam suas colheitas.

No processo de ocupação das terras europeias, os povos pagãos trouxeram esta influencia cultural em pleno processo de disseminação do cristianismo. Inicialmente, os cristãos celebravam a todos os santos no mês de maio. Contudo, por volta do século IX, a Igreja promoveu uma adaptação em que a festa sagrada fora deslocada para o 1° de novembro. Dessa forma, os bárbaros convertidos se lembrariam da festa cristã que sucederia a antiga e já costumeira celebração do halloween.

Por ter essa relação intrínseca ao mundo dos espíritos, o halloween foi logo associado à figura das bruxas e feiticeiras. Na Idade Média, elas se tornaram ainda mais recorrentes na medida em que a Inquisição perseguiu e acusou várias pessoas de exercerem a bruxaria. Da mesma forma, os mortos também se tornaram comuns nesta celebração, por não mais pertencerem a essa mesma realidade etérea.

Entre todos os desalmados, destaca-se a antiga lenda de Stingy Jack. Segundo o mito irlandês, ele teria convidado o Diabo para beber com ele no dia do Halloween. Após se fartarem em bebida, o astuto Jack convenceu o Diabo a se transformar em uma moeda para que a conta do bar fosse paga. Contudo, ao invés de saldar a dívida, Jack pregou a moeda em um crucifixo.

Para se livrar da prisão, o Diabo aceitou um acordo em que prometia nunca importunar Jack. Dessa forma, ele foi libertado e nunca mais importunou o homem. Entretanto, Jack morreu e não foi aceito nas portas do céu por ter realizado um trato com o demônio. Ao descer para os infernos, também foi rejeitado pelo Diabo por conta do trato que possuíam. Vendo que Jack estava solitário e perdido, o demônio lhe entregou um nabo com carvão que lhe serviu de lanterna.

Ao chegarem à América do Norte, os irlandeses trouxeram a festa do Halloween para as Américas e transformaram a lanterna de Jack em uma abóbora iluminada com feições humanas. Os disfarces e máscaras, tão usadas pelos participantes da festa, seriam uma forma de evitar que fossem reconhecidos pelos espíritos que vagam neste dia. Atualmente, as fantasias são utilizadas por crianças que batem às portas exigindo guloseimas no lugar de alguma travessura contra o proprietário da casa.

De fato, a celebração do Halloween remete a uma série de antigos valores da cultura bárbaro-cristã que se forma na Europa Medieval. Nessa época, várias outras festas celebravam o processo de movimentação do mundo ao destacar os opostos que configuravam o seu mundo. No jogo de oposições simbólicas, mais do que o valor de um simples embate, o homem acaba por visualizar a alternância e a transformação enquanto elementos centrais da vida.

Por Rainer Sousa
Mestre em História

FONTE: http://www.brasilescola.com/halloween/historia-halloween.htm

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

01 de outubro - DIA DO IDOSO




Como hoje é DIA DO IDOSO, vale lembrar de seus direitos, e no presente caso, de forma bastante poética. Confiram..:

 ESTATUTO DO IDOSO EM CORDEL, de autoria de Arievaldo Viana, com ilustrações de Jô Oliveira. Os folhetos foram distribuídos gratuitamente durante a 57ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Vejam, a seguir, trechos do ESTATUTO DO IDOSO EM CORDEL:


Cidadania é um termo
De efeito maravilhoso
Praticá-la é um dever
Melhor é ter o seu gozo
Por isso quero tratar
Do Estatuto do Idoso.

A origem do Estatuto
Quero dizer a vocês
Foi uma Lei promulgada
Em outubro, dois mil e três,
O Presidente aprovou
O Estatuto de vez.

As pessoas que já têm
Sessenta anos ou mais
Podem usar o Estatuto
Com seus poderes legais
Todo idoso tem que ter
Direitos fundamentais.

São seus direitos sagrados:
Saúde física e mental,
Condições de liberdade
Aperfeiçoamento moral,
Espiritual e também
Social e intelectual.

Lazer, esporte e cultura
Representam a liberdade
Trabalho e cidadania
Lhe dão mais dignidade
Para conviver feliz
Em meio a sociedade.

Diz o Capítulo Primeiro
Vigente em toda a Nação
Que a família do idoso
Terá por obrigação
Lhe dar a prioridade
Em toda e qualquer ação.

E não somente a família
Também a comunidade
Bem como o Poder Público
E toda a sociedade
Assegurar ao idoso
Em tudo a prioridade.

Preferencialmente ter
Em órgão público ou privado
Imediato atendimento
E individualizado
Em todo e qualquer serviço
Que a ele seja prestado.

Ter preferência também
Nas políticas sociais
Integração, inclusão,
E respeito dos demais
É válido a qualquer idoso
Do sertão às capitais.

A família do idoso
Deve se conscientizar
Que a máxima prioridade
Para ele deve dar
E só levá-lo ao um asilo
Se não puder sustentar.

Aos serviços de saúde
Garantir o seu acesso,
Pois ele já trabalhou
Contribuiu com o progresso
Apoiá-lo é um dever
Para que tenha sucesso.

Ele tem prioridade
Também perante a Fazenda
Quando da restituição
Do seu Imposto de Renda;
Faça valer seus Direitos
Sem precisar de contenda.

O Artigo quarto combate
Crueldade, negligência,
Qualquer discriminação
Opressão ou violência;
Precisa a sociedade
Desse artigo ter ciência!

sábado, 6 de setembro de 2014

Elena Romanova

Conversa à toa sobre o começo, o meio e o fim do amor

É certo que o amor começa quase sempre pelo mesmo mecanismo perfeito, preciso, inexplicável que organiza o reencontro inesperado de dois velhos conhecidos numa cidade com seis milhões de habitantes. Do nada. Nasce com a impertinência de uma espinha no rosto da debutante, da noiva ansiosa, da madrinha solteira. No descabimento de um espirro durante o orgasmo, o amor também dá o ar de sua graça. Surge como visita inesperada, resfriado, bolada na praia, multa de trânsito, mamangava, maria-fedida, vagalume, conjuntivite, cabelo branco em adolescente, flor no asfalto, passarinho em escritório.
Sem aviso, o amor rompe a membrana tênue que separa as coisas elevadas, impossíveis, da vida corriqueira e seus acontecimentos rasteiros. Dá as caras à toa, sem mais, como alguém que vai ao mercado, o despertador que não toca, a moça que acorda com raiva, o pobre que acerta na loteria, o tombo da patinadora. Porque o amor pertence à insuspeitada categoria das coisas imprevisíveis. O amor vive no terreno do imponderável. É ali que ele respira, ali ele espera, invisível, seu tempo fortuito e incalculável de vir a ser.
Ah… o amor que adora despertar no desencontro absoluto e na coincidência escandalosa dos números inacreditáveis, na história improvável da moça que passa sete anos sozinha e, dois meses depois de engatar um namoro assim-assim, encontra um moço que viveu os mesmos sete anos casado e há dois meses — os mesmos e inacreditáveis dois meses — encerrou mais uma entre tantas tentativas de amar e ser amado. É, o amor também principia em desarranjo e escárnio divino.
Então, uma vez iniciado, o amor vive sua maior peleja: o meio. Porque difícil não é o começo e nem o fim do amor. É o meio, o que existe entre um e outro lado da história, entre a capa e a contracapa, a frente e o verso. O morno que um dia foi água pelando e no outro será gelo e indiferença. A segunda, terça, quarta e quinta feiras de todo amor.
Quando chega ao meio é que o amor se põe à prova. E só sobrevive a esse terreno esburacado e enganoso o amor dos amantes operários. O amor trabalhador. Porque é de subidas dolorosas, descidas traiçoeiras e retas sonolentas que se compõe esse meio-caminho.
Quem aprende a ficar e se manter de pé, a cair e levantar nesse território impreciso vive o amor em sua face mais primorosa. O amor parceiro de quem se sabe disposto a caminhar rumo ao inferno para estar ao lado do outro, ou na frente, ou atrás. Porque só quem sobrevive às trevas há de entrar no paraíso.
No meio do amor, é preciso perder o medo de se arrebentar inteiro no campo minado do dia a dia. Ali, os casais caminham com cuidado para não pisar em nenhuma mina, ora sabendo, ora não, que se um o fizer os dois serão atingidos na explosão, tão perto estão um do outro.
A quem supera essa fase é reservado um regalo sublime, bônus do exercício maravilhoso de amar: as lembranças. Vagas e adocicadas lembranças de longas conversas tarde da noite, ouvindo a cidade dormir lá fora. As memórias de viagens e festas, sábados de cinema, domingos de churrasco, segundas a sextas de trabalho, planos e sonhos. As reminiscências, tão sublimes quanto os instantes que as originaram. Afinal, seja qual for o tamanho do meio, um dia o amor chega ao fim.
Nesse dia, a decência dos amantes é medida pelo tamanho de seu desprendimento e de sua capacidade de engolir o pranto e dizer “adeus, seja feliz”. Porque só merece as dores e as delícias do amor aquele que um dia saiba deixar o outro ir em frente. E que aprenda a estar só novamente e a guardar a dor consigo até a dor passar, como as antigas personagens de desenho animado que engolem bananas de dinamite acesas.
No amor, que também ama a lógica, depois do começo e do meio vem o fim. Tempo em que ele se arrasta entre migalhas, restos e sobras. Como o guaraná que perde o gás, a cerveja que esquenta, a goiaba que passa do tempo e deixa a casa inteira com cheiro de quintal, é certo que o amor também acaba como começou. Do nada. Em nada, como uma estranha sombra pálida e triste, sinal agudo de que seu tempo já foi e de que é hora de seguir em frente para, tomara Deus seja logo, começar tudo de novo e de novo outra vez.
Ilustração: Elena Romanova

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Meu livro..


Já está a venda pelo site da Scortecciwww.asabeca.com.br

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Queridas companheiras de jornada...

Andei sumidinha por conta de N compromissos, mas atendendo a solicitações cá estou de volta para prosseguirmos essa nossa jornada de informação, parceria, descontração e muita "troca de figurinhas".

Fazendo uma breve retrospectiva em postagens anteriores, pude perceber que até hoje não postei nenhum release meu para que vocês pudessem conhecer mais a fundo o meu trabalho, as minhas conquistas e minha  linha de atuação, e como quero começar essa nova fase de modo mais interativo, vou compartilhar com vocês logo abaixo todas essas informações. Espero que, doravante possamos interagir mais, vocês me enviando sugestões, críticas, informações, enfim, esse é o NOSSO Cantinho da Mulher Inteligente.

Um beijo grande no coração de todas(os) e... Vamo que vamo!!!

Sandra Hasmann

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Quem sou eu..



*Terapeuta Naturologa e Life/Executive Coach, criou o programa “GIRE” – GESTÃO INTERATIVA RAZÃO E EMOÇÃO – cujo objetivo é “humanizar” as relações empresariais, e desenvolver o potencial máximo do indivíduo através da sensibilização e autogestão dirigidas.

*Especializada em PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE DROGAS, habilitada no curso de Capacitação Para Conselheiros e Lideranças Comunitárias pelo PRONASCI – Programa Nacional de Segurança Publica com Cidadania, em parceria com a UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas e Gabinete de Segurança Institucional do Governo Federal;

*Escritora, membro da Academia Jacarehyense de Letras, na qual ocupa a cadeira 19;

*Artista Plástica, com ênfase à pintura de retratos;

*Especialista e professora de MAQUIAGEM PROFISSIONAL (social, cinema, TV e Ensaios Fotográficos)  e DRESS CODES, ministra cursos,  palestras e workshop para Entidades de Classe, Colégios, Faculdades, Empresas, etc..

*Estilista de assessórios para cabeça - Head Band, Fascinators, Grinaldas e demais tipos de arranjos para grandes ocasiões (www.sanbijoux.blogspot.com) .

Trabalhos publicados

*“Zeykran, meu irmão das estrelas” – livro de ficção/autoajuda;

*“Através do arco-íris” – livro de ficção/autoajuda;

*“A guardiã” – livro de ficção
(em fase de conclusão);

*Participação na Coletânea de Natal do projeto “livro na mesa", com o conto “UM PRESENTE PARA PAPAI NOEL” – da Editora Crearte, em parceria com empresas de Sorocaba e região;

* Participação nas Coletâneas 2012 e 2013, da Academia Jacarehyense de Letras;

* Participação na Coletânea POESIA TODO DIA, da editora Alphagraphics, em 2013;

* Participação em 2012 da coletânea “ELAS PINTAM, ELAS PENSAMda Editora Literarte, ao lado de mulheres de grande expressão na literatura e artes plásticas brasileira e internacional, lançada na Bienal de SP;

* Participação da Coletânea CONTOS DO VALE, da AJL – 2013;

*Participação na Coletânea JACAREÍ ALÉM DO ARCO ÍRIS, da AJL - 2014;

*Redatora de textos sobre Comportamento, e entre os mais recentes trabalhos em periódicos, assinou as colunas de testes nas revistas POSSÍVEL, e PRÊT-À-PORTER BRASIL, ambas da Editora Leitura e Arte;

*É colunista do Jornal SEM FRONTEIRAS (RJ), mais importante periódico cultural do Brasil, distribuído em todo território nacional e mais de 20 países, em especial Europa;

* Jurada por dois anos consecutivos – 2013/2014 – na categoria Contos, do Prêmio SFX, da JAC editora, no Festival Literário da Mantiqueira;

* Estarei lançando na Bienal do Livro de SP/2014, o livro CARINA, A PRINCESA QUE NÃO PODIA ANDAR.

Prêmios recebidos

*Condecorada em 2012 com a Medalha do Cinquentenário da Associação Brasileira das Forças Internacionais de Paz da ONU (ABFIP ONU), destinada a premiar e reverenciar o culto aos nobres atributos daqueles que tenham praticado ações meritórias, enaltecedoras do nome da Pátria Brasileira;

* Agraciada em janeiro de 2013, em solenidade no Rio de Janeiro, com o título de Membro Honorário da DIVINE ACADÉMIE FRANÇAISE DES ARTS, LETTRES ET CULTURE de Paris;

*Agraciada em 2013 com o certificado POETA DO BEM, concedido pela Editora Alphagraphics, tendo cedido os direitos autorais de sua participação na coletânea do mesmo nome à APAE;

* Agraciada com o Premio LUSO-BRASILEIRO Melhores Contistas 2013, em cuja coletânea também participou da Editora Mágico de OZ;

* Agraciada em 2014 com uma Moção da CAMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, pela estimada contribuição para a produção cultural fluminense, entregando a todos informação isenta e de qualidade;

* Agraciada em 2014 com o PRÊMIO EXCELENCIA CULTURAL, em comemoração aos 70 anos da ABD – Associação Brasileira de Desenhos e Artes Visuais;

* Agraciada em 2014 com o Troféu COLUNISTA SEM FRONTEIRAS, da Rede Mídia Comunicações, por seu desempenho e competência.

sexta-feira, 27 de junho de 2014



NÃO DEIXE UM BEBÊ CHORAR
(Texto lindo da Kalu Brum, do Blog Vila Mamífera/ Café Mãe... Leia Até o final)
De todas as teorias do universo materno, as que me assustam são: não dar colo para o bebê, regular a amamentação em horários cronológicos e deixar o bebê chorando. Elas me pegam na alma.

Bebes não sabem falar, nasceram em um ambiente aquático, escuro, cheio de movimento e calor e estão do lado de fora.
Precisam ser alimentados, estranham. Descobrem no peito uma maneira de ter o aconchego pleno.
Basta ver uma cadela: quando o filhote chora a mãe corre e aconchega. Bebês não choram a toa e se choram estão pedindo:
- Por favor me ajude
Ajude a dormir, a enfrentar a solidão, a lidar com a temperatura que oscila.
Quando um bebê pede colo ele está reconhecendo que você é uma segurança.
Quando você nega esse colo ele pode se acostumar com a negligência e resignar-se. Mas ele não está feliz.
Eu adoro o conceito: permita que as crianças sejam dependentes no momento em que podem ser, para que sejam independentes para toda a vida.
O que mais vejo neste mundo são pessoas dependentes e resignadas.
Dependentes de comida, de medicamentos, de sexo, de necessidade de aceitação.
São, algumas vezes, sobreviventes de pequenos ou grandes abandonos.
Algumas vezes vendo esses programas que difundem a idéia da Torturadora de bebês eu sinto algo inexplicável: eu choro com a mãe que chora, com o filho que dorme soluçando.
Não há nada mais fácil e prazeroso para mãe e bebê do que deitar junto com o bebe e dormir agarradinho.
É tão rápido que eles crescem. O que são 3 anos diante de uma vida toda?
Queremos tanto a independência precoce, exaltamos isso como troféu e depois questionamos onde se perdeu esse fio.
Eu vejo idosos abandonados com cuidadores ou em asilos e vejo ali o reflexo de uma sociedade que fecha os olhos para os dependentes trocando o amor por tecnologia, chupeta, mamadeira, berço que balança e no fim, uma cama fria e olhos de uma profissional contratada.
Assim começa a vida, assim ela termina. No meio um grande vazio que tentamos preencher. Um vazio cultivado em nome dessa ilusória independência precoce.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Como reconhecer a armadilha do relacionamento abusivo

Existem algumas pistas que podem indicar se você está presa em uma cilada que pode acabar em tragédia.
(Por Aline Valek, no blog Escritório Feminista)

ONU Mulheres
Experimente fazer uma busca no Google com o termo “inconformado com o fim do namoro”. Deixe que o próprio Google te mostre a triste realidade de mulheres assassinadas, sequestradas e agredidas pelos ex-parceiros. É assustador.

Não poucas vezes a mídia noticia casos de assassinato de mulheres pelos ex como “crime passional”. Mas não há nada de passional nisso. Não são homens que “amaram” demais e, por não suportarem a rejeição, resolveram agir drasticamente como se fossem personagens de um romance shakespeariano. Trata-se, na verdade, de um crime de ódio motivado por uma ideia simples e perversa: mulheres são coisas. Esses homens compraram essa ideia, acreditaram que suas companheiras eram suas posses. Acreditaram que eles tinham direito sobre o corpo e sobre a vida dessas mulheres a ponto de tirar-lhes a vida, se assim eles desejassem. Não é absurdo?

Esses casos mostram o extremo para onde a ideia “mulheres são coisas” pode levar, mas essa ideia se manifesta também no dia-a-dia de quem vive um relacionamento abusivo. Em um relacionamento abusivo, o parceiro pode não ter matado ou agredido a mulher (ainda), mas a prende em um relacionamento destrutivo e muito danoso. Tudo partindo da premissa que “mulheres são coisas e essa coisa é MINHA”.

Espero de verdade que não seja o seu caso, mas você sabe dizer se está em um relacionamento abusivo? Existem algumas pistas que podem indicar se você está presa em uma cilada dessas.

(antes, uma observação: relacionamentos abusivos podem não acontecer apenas em relações heterossexuais; mas, como dentro da nossa sociedade machista existe uma óbvia relação de poder de homens sobre mulheres, este é o recorte que escolhi para o texto)

1. Possessividade e controle: esse é o principal indício de que você pode estar com um cara abusivo. Ele tem ciúmes dos seus amigos, de pessoas do seu trabalho, até de familiares? Controla com quem você pode falar ou com quem você pode sair? Vigia suas mensagens, exige senha do seu e-mail e redes sociais? Desconfia constantemente de você, te acusa de traição sem motivos? Controla as roupas que você usa? Tenta isolar você só pra ele? Olha, o alarme já soou por aqui. Essa possessividade indica que o cara acredita que você é uma coisa, e não um ser humano autônomo e independente. E a gente já sabe o perigo que essa ideia representa, né?

2. Comportamento agressivo: nem é preciso partir para o espancamento para você descobrir que está em um relacionamento perigoso. Ele usa formas de contato físico para te ameaçar, como te segurar com força pelos braços ou te empurrar? Ele soca, chuta e derruba coisas para te intimidar? Já te ameaçou com uma arma? Amiga, fuja desse cara sem olhar pra trás.

3. Força sexo: não é sua obrigação como mulher ou namorada fazer sexo com seu parceiro. Você disse “não” e mesmo assim ele te forçou a fazer algum ato sexual? Ele já tentou fazer sexo com você enquanto você estava dormindo, contra a sua vontade? Ele já te ameaçou ou fez alguma chantagem emocional para que você concordasse em fazer sexo com ele? Sexo sem consentimento significa uma coisa: estupro. Um cara que não respeita o seu “não” já te enxerga como uma coisa desprovida de vontade.

4. Coloca você pra baixo: um relacionamento abusivo não é uma relação de igual para igual, mas sim uma das partes tentando exercer poder sobre a outra. O cara abusivo vai colocar você para baixo para poder se sentir poderoso. Ele humilha você com xingamentos ou apelidos pejorativos? Desvaloriza tudo o que você faz? Faz você se sentir feia, burra ou incapaz? Fica com raiva quando você demonstra independência, inteligência ou força? Ele te ofende e faz você passar por constrangimentos? Com isso, ele está destruindo uma das suas armas mais poderosas: sua autoestima. Há homens que acreditam que se puderem enterrar a autoestima da mulher sob vinte metros de concreto, ela estará mais suscetível a tolerar uma merda de relacionamento.

5. Desrespeita outras mulheres: fique atenta ao histórico do cara com quem você vive ou se relaciona. Ele maltrata outras mulheres, como a mãe, a irmã, a empregada, amigas, colegas de trabalho, desconhecidas na rua? Não fique indiferente ao comportamento agressivo do cara em relação a outras mulheres, pois nada impede que ele faça o mesmo com você.

6. Manipula: ele faz chantagem ou joguinhos para que você faça exatamente o que ele quer? Ele te pune e te impõe restrições se você o desobedece? Ele te coloca em situações em que você precisa da permissão dele para alguma coisa? Ele te proíbe de falar com os parentes para impedir que você conte o que acontece entre vocês? Ele te culpa por um abuso que ele tenha cometido contra você? Depois de um abuso ele se torna repentinamente carinhoso e romântico para que você o desculpe? Ele te ameaça ou faz qualquer tipo de chantagem caso você ameace abandoná-lo? Ele ameaça se matar caso você termine o relacionamento?

Se sim, lamento informar, mas você está em um relacionamento abusivo. Ou, na mais utópica das hipóteses, com um cara MUITO babaca. 

"Estou em um relacionamento abusivo. E agora?”

Bem, só tenho um conselho para te dar: sai dessa. Corre. É uma cilada.

Claro que não é fácil assim. E eu te entendo, de verdade. Por isso o relacionamento abusivo é uma armadilha tão perigosa: porque te coloca numa situação difícil de sair, seja por ter tornado você dependente do cara financeira ou emocionalmente, seja por fazer você sentir medo ou culpa ou ainda aquela esperança de que você possa “salvar” o seu namoro ou casamento. Mas sua vida está acima de um namoro ou de um casamento. O caso é grave e não dá para arriscar sua vida, seu bem estar e sua integridade física desse jeito.

Se for difícil, conte para familiares e amigos mais próximos. Tenho certeza de que você terá muitas pessoas ao seu lado para te apoiar e te proteger nesse momento.

E se o cara te trata dessa forma, ele não vale a pena MESMO. Eu te garanto: você não vai estar perdendo nada. Além disso, não caia na ilusão de que você tem a “missão” de consertar este cidadão. Você não é obrigada.

Acima de tudo, o mais importante e que eu destacaria com um marcador colorido e glitter se fosse possível: NÃO É CULPA SUA.

Podem dizer que você foi burra por ter se envolvido com um cara assim, que a culpa foi sua por não ter percebido antes, que a culpa foi sua por ter deixado ele abusar de você, que você foi ingênua, fraca, submissa. Não acredite. Não é verdade. A culpa aqui é do cara que abusou de você, te ameaçou, tentou te controlar ou te agredir. Pro inferno com essa gente que tenta transferir a culpa para quem só se ferrou na história toda.

No mais, se ele te agrediu, continua te ameaçando ou te perseguindo, procure uma Delegacia da Mulher e denuncie.

A vida é curta demais para perder tempo com quem trata você como coisa.

Força.

(FONTE: http://www.cartacapital.com.br/blogs/escritorio-feminista/como-reconhecer-a-armadilha-de-um-relacionamento-abusivo-1323.html)